Como Qualquer Pessoa Pode Adestrar Um Cachorro

Que tal Experimentar Dar Ao  Melhor Amigo Do Homem, Um Pouco Do Homem?

 

Especialistas dão dicas para ajudar os donos a adestrarem os próprios cães.
Todo animal tem um nível de inteligência e pode ser ensinado.
Raça não influencia na aprendizagem do bichinho.
Adestrar seu cão pode facilitar o seu dia a dia. Célio Enrique Ludovico, aposentado de 84 anos, tem dois cães adestrados. "Quis ensiná-los para facilitar a minha vida, pois os dois são de grande porte e dão muito trabalho", conta.
Atualmente, Célio tem dois cachorros: a Helga, uma Rottweiler de 11 anos, que é adestrada há dez anos; e o Chico, um cão sem raça definida (SRD), de um ano e quatro meses, que é adestrado há oito meses. "Eu tinha um cachorro que até buscava o jornal para mim", lembra o aposentado.
Carlos Valle, que é adestrador há 40 anos, conta que todo cachorro pode ser adestrado. Ele explica que alguns pets podem relutar ou demorar mais para aprender, mas que nunca vão ficar 100% arredios. "Até mesmo gatos podem ser adestrados, pois todo animal tem um nível de inteligência", afirma.
Carlos trabalhou como adestrador de cães policiais. Ele lembra que sempre foi apaixonado por cachorros e que quis trabalhar na polícia já com o objetivo de ser adestrador. "Entrei na polícia para ser 'cachorreiro'", explica. Carlos se aposentou da polícia há oito anos e hoje trabalha adestrando cães domésticos em um espaço em Sorocaba (SP).
O adestrador explica que seu papel é ensinar o dono a falar a mesma língua que o cão. Ele conta que utiliza uma forma de ensinar que é adotada em países como Portugal, Alemanha e Estados Unidos, na qual quem adestra o cachorro é o próprio dono. "Eu ensino o dono a ensinar o cão, porque o pet confia no dono. Portanto, o dono deve adestrar o cão".
Segundo Carlos, a raça do cão não influencia em sua aprendizagem e o animal é aquilo que o dono fabricar. Célio é prova disso. Ele afirma que tanto a cadela Rottweiler quanto o cão sem raça definida conseguem fazer os mesmos truques, como andar junto, deitar, ficar e pular obstáculos, mas que hoje a Helga faz as coisas em um ritmo mais lento por causa da idade.
"O segredo para um bom adestramento é que o dono deve se divertir com o cão", destaca o adestrador Carlos.
Dicas de adestramento
Carlos explica que os cães entendem mais gestos do que voz e alerta que o primeiro passo para ensinar o cão é não gritar ao falar com ele. "Isso irrita o cão, pois sua audição é 60 vezes mais aguçada do que a humana. Quando o pet faz algo errado, você deve falar com firmeza para repreende-lo. Fazê-lo com gritos ou agressão não adianta".
Outro erro comum dos donos de pets é humanizar o animal e o adestrador explica que isso é errado. "Não se deve tratá-lo como criança. Fazendo isso você torna o cão seu escravo e seu dono ao mesmo tempo. Ele vai achar que é o líder. Você deve mostrar para o animal que você é o líder e o adestramento serve para isso", afirma Carlos, que conta ainda que cães que brigam entre si o fazem para ver quem manda, pois não enxergam uma liderança no dono.
Não se deve dar petiscos para o cão. Se você der petiscos para que ele faça o que você quer, você não vai ser o líder do cão, mas sim o dono do petisco", ressalta o adestrador. Ele adverte que quando você quiser que o pet faça algo e não der o petisco, você vai frustrá-lo. "Deve-se agradar com carinho", frisa.
Um dos truques que Carlos ensina no adestramento é o cão acompanhar ou não a saída do dono de acordo com alguns gestos. "Quando você começa a andar com a perna esquerda, o cão sai junto com você. Quando você sai com a perna direita, ele não vai junto. Você nem precisa falar nada".
O adestrador afirma que um dos truques mais difíceis de ensinar para o cão é o comando para ele deitar. "Quando o cão vai deitar, ele costuma checar o local antes para ver se é seguro. Mas, se o dono o manda deitar, ele deve fazê-lo imediatamente e confiar que o local no qual o dono mandou ele deitar é seguro. O pet se sente vulnerável", explica.
Segundo Carlos, um cão leva cerca de quatro meses para ser adestrado, mas deve-se sempre mantê-lo ativo e em treinamento.


Matéria do G1 de 07/01/2016